quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Ela,
Num quarto escuro e sem perdão





Ela ouvia televisão.



Ela nunca se desligava.
Alimentava-se dos alheamentos humanos,
e desumanos também.

vivia incessantemente.



De noite e de dia.

O massacre.
A chacina mental.
Actual e real.

As notícias sempre as mesmas,
não as via.


Delirava.
Perliquitante por dentro.
Tombava.

Não sou eu que estou aqui, sois vós!!!

Saiam já daqui!!!

Sumam-se

Deixai-me neste antro que é meu.

Só meu!!!



E a vassoura em riste afugentando nem sei bem o que. A náusea e o desespero das teias de aranha agarradas ao corpo, o suor em excesso,
o cabelo em excesso,
os braços em excesso.

O café do dia anterior numa caneca esbranquiçada e esmaltada, a cinza que se acumula em latas, o pó que abunda.


Como diz o Senhor Padre:


“ Do pó ao pó”




Não estou sozinha afinal.



Vi-te soltar as asas...



Dois cisnes surgiram.
Ficaste preso na gaiola.
Porque eras tu.


Please, DECLARE INDEPENDENCE .

2 comentários:

laura disse...

gostei desse vosso espaço... forte, cru, como eu gosto :)

merdinhas disse...

Alienações sem chuto. Com sala.

Tenho que explorar mais estas bandas.