Num quarto escuro e sem perdão

Ela ouvia televisão.
Ela nunca se desligava.
Alimentava-se dos alheamentos humanos,
e desumanos também. vivia incessantemente.
De noite e de dia.
O massacre.
A chacina mental.
Actual e real.
As notícias sempre as mesmas,
não as via.

Delirava.
Perliquitante por dentro.
Tombava.
Tombava.
Não sou eu que estou aqui, sois vós!!!
Saiam já daqui!!!
Sumam-se
Deixai-me neste antro que é meu.
Só meu!!!
E a vassoura em riste afugentando nem sei bem o que. A náusea e o desespero das teias de aranha agarradas ao corpo, o suor em excesso,
o cabelo em excesso,
os braços em excesso.
O café do dia anterior numa caneca esbranquiçada e esmaltada, a cinza que se acumula em latas, o pó que abunda.
Como diz o Senhor Padre:
“ Do pó ao pó”
Não estou sozinha afinal.

Vi-te soltar as asas...

Dois cisnes surgiram.
Ficaste preso na gaiola.
Porque eras tu.
Please, DECLARE INDEPENDENCE .
2 comentários:
gostei desse vosso espaço... forte, cru, como eu gosto :)
Alienações sem chuto. Com sala.
Tenho que explorar mais estas bandas.
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